A dança e o isolamento social na Quarentena


Os corpos ficaram estáticos, assim como o mundo. As pessoas fecharam-se em suas casas, e o ritmo pulsante não estava mais presentes nos estúdios, academias e escolas de dança. Pausa, silêncio.


A dança teve que se reiventar, o ensino a distância se transformou na forma mais breve de dizer ao corpo que está tudo bem e que iremos nos adaptar por uns tempos. Mas, que apesar de tudo isso, o corpo refletiu. Refletiu a saúde mental, refletiu o caos lá fora. O corpo se confundiu com a mente, o adoecimento prevaleceu por alguns dias, mas a dança veio para mostrar a reflexão do meu eu para comigo mesmo nessas quatro paredes.


Por onde anda a minha dança? Ela anda pelos pulsos, pela veia pulsante ao dançar escondido no quarto com aquela música que me mostra a forma de entender esse caos. O silêncio não prevaleceu tanto nessas paredes. Ultimamente, o meu corpo sentiu a necessidade de entender o meu EU, e minha função como artista.

Dançar nesse isolamento é como se fosse o pedido da arte pulsando nesse caos, nos traumas e nos medos de um vírus. O movimentar se transformou em uma oração diária da afirmação da frase: “está tudo bem. Vai passar!”


As aulas se transformaram num cuidado com você, com o outro, na conexão não somente de uma rede de internet, mas uma conexão de arte, de pensamentos reflexões do ser em movimento.


Dançar na quarentena não é isolar-se do mundo por inteiro. É compreender o que habita aqui, o que habita aí. É o gritar por uma dança que muitos desconhecem,
mas que, acima de tudo, faz o coração acalmar pelas estatísticas de mortes e de infectados. É acalmar o que muitos não conseguem gritar. É uma dança que
abraça e acolhe, esse ser, esse caos.


Se pudesse te dar um conselho, diria: DANCE COM SUA DOR E COM SEU ISOLAMENTO. Ela te mostrará passos que nem você mesmo conhece. Ela te guiará a caminhos de um autorretrato chamado: AMOR PRÓPRIO.

Mateus Vasconcellos é graduado em Pedagogia, Artes Visuais e Pós-Graduado em Arteterapia. Docente na Famosp, coreógrafo, pesquisador corporal, bailarino do Balé da Cidade de Taubaté e diretor da Cia Dançando Sobre Rodas.

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