O artista na Quarentena: reinventar ou esperar?

Vivemos em constantes transformações, escolhas e adaptações. Nunca foi fácil, mas parece que, nesses últimos meses, se reinventar tem sido um grande desafio, principalmente para a classe artística.


Muitos têm tirado de letra o famoso ócio criativo e têm feito estragos em suas produções virtuais. Outros ainda tentam descobrir como prosseguir com a arte sem perder a essência. E assim, travam uma batalha entre o fazer e o esperar, mesmo sabendo que tudo vai passar. Mas, é esse “vai passar” que tem preocupado muitos artistas que não têm sequer uma certeza de quando retornarão suas deliciosas aglomerações nos palcos e set de filmagens.


O que enxergamos nesse caos atual são artistas abrindo as cortinas de suas casas e criando uma nova forma de divulgarem seus trabalhos, através de live e inúmeras plataformas digitais. Mas, até onde isso valoriza ou banaliza a nossa arte? O que muito se fala é que “agora a sociedade percebeu o verdadeiro valor que o artista tem.” Será mesmo? Ou será que quando tudo voltar ao normal, as coisas terão tomado um outro rumo e as plateias estarão cada vez mais vazias? Afinal de contas, parece que encontramos um nova forma de aproximar a arte das pessoas. Ou de afastá-las de uma vez por todas.


Se reinventar durante essa pandemia, possui diferentes ângulos, diferentes olhares… Para alguns é buscar uma nova fonte de renda, mesmo que seja em algo completamente distante da arte. Outros consideram esse tempo favorável para repensar sobre a carreira e produzir coisas novas. Há também aqueles que dançam conforme a música e aproveitam a tecnologia para se adaptarem e o resultado disso estão nas lives, esquetes, series e espetaculos online.


O que devemos levar em consideração é que cada artista tem enxergado as oportunidades nesse momento de acordo com suas necessidades e que não
podemos definir o que é certo ou errado, nesse caso. Mas, cheguei à seguinte conclusão: não estamos no mesmo barco, ok? Podemos estar navegando no mesmo mar de incertezas, de adaptações, até mesmo de necessidades, mas sabemos que os espaços e as oportunidades sempre foram e serão diferentes para cada artista. E isso não mudou com esse confinamento.


Nesse mar revolto, uns estão em barcos espaçosos, confortáveis e seguros. Mas tem aqueles que estão retirando água do convés para tentar sobreviver. Portanto, percebemos que se reinventar ou esperar não é uma questão de escolha e sim de necessidade. O que você precisa nesse momento? Quem é você neste mar revolto?


Elber Marques é Formado pelo Teatro Escola Macunaíma e pelo Teatro Miguel Falabella (RJ), dublagem pela Audio Brasil e Canto Popular pelo Conservatório Souza Lima, com Fernanda Maia como preparadora vocal. Participiou das leituras dramáticas da Caixa Econômica Federal, ao lado de Nany People, Luiza Tomé e Eva Wilma. Na TV, atuou em Revelação (SBT). Seus últimos trabalhos foram Senhora dos Afogados, com direção de Zé Henrique de Paula, o musical da Broadway Alladin, onde foi indicado ao Prêmio FEMSA (Coca-Cola) 2011 como melhor ator coadjuvante e o espetáculo Palavra Cantada, com direção de Fernanda Chamma. Atualmente, é ator da Maurício de Souza Produções e diretor geral e produtor da Cia Artística En’cena.

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