O artista e o bloqueio criativo

Quantas vezes você deixou de expressar sua arte por se sentir incapaz de realizá-la, ou até mesmo por medo do que poderiam dizer? Se pararmos para analisar o real significado de bloqueio criativo, entenderemos que nada mais é do que um momento de incapacidade para produzir aquilo que amamos, estudamos e sabemos fazer.

Muitas são as causas para que esse bloqueio se manifeste. Entre elas, estão a rotina exaustiva de trabalho, ansiedade e até mesmo a falta de algumas vitaminas. Porém, hoje eu quero apresentar um outro lado desse bloqueio.


Já parou para pensar que, às vezes, a arte que o outro produz, nos provoca um bloqueio e uma sensação de que estamos na profissão errada? Pensamentos como: “será que eu devo?”, “eu sou só mais um”, “acho que ninguém vai gostar”, “ele é muito melhor que eu”, são grandes responsáveis para que o bloqueio criativo apareça e se torne nosso inimigo número um.

No momento atual, produzir tem sido uma obrigação para o artista, e a famosa frase “quem não é visto, não é lembrado”, ecoa em nossa mente, nos gerando ansiedade. Um século onde se destaca aquele que for mais criativo e inovador. Essa pressão e disputa por espaço, tem nos obrigado a buscar todos os dias sermos melhores em tudo o que realizamos. Não que isso seja um problema. Mas, pode se tornar a partir do momento que começamos a nos sacrificar, fazendo além do que deveríamos, gerando frustração quando não alcançamos um bom resultado, ou não ouvimos o elogio desejado, depois de horas de criação.

Não podemos negar que existem pessoas muito talentosas e que às vezes nos amedrontam, colocando em dúvida a qualidade daquilo que produzimos. Mas, o que precisamos ter em mente é que a nossa arte é única, necessária para quem aprecia, e que cada artista expressa aquilo que carrega dentro de si. Essa é a verdadeira arte. Sendo assim, devemos nos sentir privilegiados e no caminho certo, toda vez que o nosso trabalho nos causar uma reflexão quando comparado a outros, e entendermos que não existe pior e nem melhor na arte, mas existem visões e vivências completamentes diferentes, e que cada um se identifica com aquilo que lhe cabe.

Seja dançando, cantando, interpretando, pintando, nem todo mundo entenderá a sua arte, ou estará disponível para entendê-la. Mas, você esteve disponível para oferecer o seu melhor. E, antes de acharmos que o problema do nosso bloqueio está em quem contempla a nossa arte, ou no vizinho que faz trabalhos melhores que os nossos, precisamos verificar se não estamos nos sabotando, incomodados e impedidos de enxergar a nossa criação do jeito que ela realmente merece. Afinal, se não for para gerar incômodo, se não for para trazer reflexão, a começar por nós, de que vale criar?

Sendo assim, é aconselhável nesse mundo criativo em que vivemos, deixarmos de lado aquela sensação de incapacidade que nos bloqueia e impede de evoluirmos como artista, darmos mais valor a tudo o que produzimos, mesmo sabendo que ainda temos muito o que melhorar e, principalmente, entender que se não fizermos, alguém fará por nós.

É preciso coragem para fazer o que ninguém fez, sensibilidade para perceber o quão necessário é aquilo que produzimos, força para continuar a caminhada mesmo sabendo que muitos te deixarão seguir sozinho com aquilo que acredita e humildade para reconhecer que a arte se transforma todos os dias, e que estamos sujeitos a errar.

Você só vai saber se tentar.
Viver da arte nunca foi fácil, mas, já pensou em desistir? Vai perceber que é impossível!


Elber Marques é Formado pelo Teatro Escola Macunaíma e pelo Teatro Miguel Falabella (RJ), dublagem pela Audio Brasil e Canto Popular pelo Conservatório Souza Lima, com Fernanda Maia como preparadora vocal. Participiou das leituras dramáticas da Caixa Econômica Federal, ao lado de Nany People, Luiza Tomé e Eva Wilma. Na TV, atuou em Revelação (SBT). Seus últimos trabalhos foram Senhora dos Afogados, com direção de Zé Henrique de Paula, o musical da Broadway Alladin, onde foi indicado ao Prêmio FEMSA (Coca-Cola) 2011 como melhor ator coadjuvante e o espetáculo Palavra Cantada, com direção de Fernanda Chamma. Atualmente, é ator da Maurício de Souza Produções e diretor geral e produtor da Cia Artística En’cena.

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