O verdadeiro artista

Todas as vezes que sou convidado para algum trabalho e me perguntam quanto cobro, antes de aceitar, me faço essas perguntas: quanto vale a minha arte? O que eu tenho feito para ser valorizado?

Vivemos em uma época onde o conceito de arte está relacionado a popularidade. E, diante disso, nos questionamos se valeu a pena estudar, investir tempo e dinheiro para ter reconhecimento e espaço em um mercado de trabalho que, infelizmente, não tem dado oportunidade para qualidade e sim para resultados imediatos. Uma arte pautada em likes, compartilhamentos e comentários virtuais, uma arte onde não se precisa mais buscar conhecimento para ser um bom artista, onde não se precisa ser reconhecido mas, sim, conhecido.


“Pagamos X, mas damos o lanche. Topa?”
Quem nunca se deparou com essa proposta? Muitas das vezes, precisando abaixar a cabeça e aceitar apenas por uma questão de sobrevivência. Se recusamos, outro vai lá e faz, aceitando apenas o “lanche”.

A realidade é que existe uma grande diferença entre o artista que nasce e o artista que aprende. O que nasce artista, carrega consigo o dom, que o mantém no eixo, fazendo com que ele não se negue e entenda o seu verdadeiro valor. O que aprende a ser artista, carrega consigo um desespero em se manter no mercado de trabalho, buscando quantidade e não qualidade, e isso uma hora cansa, acaba, provoca desistência.
Arthur Schopenhauer já dizia: “Uma pessoa de raros dons intelectuais, obrigada a fazer um trabalho apenas útil, é como um jarro valioso, com as mais lindas pinturas, usado como pote de cozinha.”

E é nisso que nós artistas devemos nos agarrar: na verdadeira luta pelo nosso espaço e pelos nossos dons, não sendo apenas úteis, mas necessários. Mesmo sabendo que a jornada não será fácil e que o mercado de trabalho não tem dado o devido espaço e valor que merecemos. O verdadeiro artista não desiste. O verdadeiro artista se reinventa, ama o que faz e tem sempre seu lugar ao sol.


Elber Marques é Formado pelo Teatro Escola Macunaíma e pelo Teatro Miguel Falabella (RJ), dublagem pela Audio Brasil e Canto Popular pelo Conservatório Souza Lima, com Fernanda Maia como preparadora vocal. Participiou das leituras dramáticas da Caixa Econômica Federal, ao lado de Nany People, Luiza Tomé e Eva Wilma. Na TV, atuou em Revelação (SBT). Seus últimos trabalhos foram Senhora dos Afogados, com direção de Zé Henrique de Paula, o musical da Broadway Alladin, onde foi indicado ao Prêmio FEMSA (Coca-Cola) 2011 como melhor ator coadjuvante e o espetáculo Palavra Cantada, com direção de Fernanda Chamma. Atualmente, é ator da Maurício de Souza Produções e diretor geral e produtor da Cia Artística En’cena.

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